sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PORQUE ESCOLHI SER PROFESSOR


A escolha pela missão de ser professora se deu pelo crescente desejo que havia em mim, desde a infância, de me tornar pró. Nasci numa família grande, de cinco filhos. Família simples e de poucos recursos financeiros. Assim, não tínhamos muitos brinquedos e nossas brincadeiras sempre foram no quintal de nossa casa. 
As lembranças são fortes em minha mente. Lembro que tinham muitas árvores frutíferas: seriguela, goiaba, manga, coco, pinha e mais algumas. Era muito divertido, mas minha brincadeira favorita era brincar de escolinha e eu era a pró.
Lembro que eu pegava uma tábua, pedaços de carvão, um pedaço de pano velho, que seria o apagador e um livro. Daí eu ia copiando tudo que estava no livro em meu “quadro negro”.  
  Sentia-me muito feliz quando fingia ser a professora. Era uma sensação bastante agradável. Ah! E os alunos eram imaginários .Mesmo assim, eu pedia que fizessem silêncio e prestassem atenção nas atividades. Certamente eu estava imitando alguma professora, mas não lembro quem eu imitava.
Dessa forma, continuei meus estudos com algumas dificuldades financeiras e na aprendizagem. Fui percebendo que escola é algo muitíssimo sério. Deve-se ter muita dedicação e persistência para continuar os estudos e poder desfrutar do prazer que a construção do conhecimento proporciona.
                                                           




Resumo de entrevista com Selma Garrido Pimenta

A análise crítica das contradições presentes na escola pode nos ajudar a transformá-la num espaço de formação ampliada.


Em entrevista publicada no livro A escola tem futuro? Da autora Marisa Vorraber Costa. A professora e diretora da Faculdade de Educação da USP; Selma Garrido Pimenta discorre sobre as contradições presentes na escola e perspectivas da escola.
Resultado de imagem para imagem de selma garrido

Partindo de suas pesquisas colaborativas a professora Pimenta afirma que a Universidade vê a escola de forma crítica. No entanto, precisamos como os professores, construir uma escola nova. Para tanto, devemos aprender com os professores, pois eles são capazes de ter uma posição crítica em relação ao seu trabalho e a nós, cabe o papel de colaboração.
Pimenta ressalta que desde o início de sua atuação como docente de graduação discutia e defendia a ideia de como fazer escola já na perspectiva de uma formação contínua dos professores na escola.
A professora Selma Garrido pensou estágio como um processo que prepara tanto quem está em formação quanto aqueles que atuam no conjunto da escola. Chegou à conclusão que o estágio só tem sentido se começar no início do curso de formação.
Selma Pimenta firmou que, embora a escola atual não esteja conseguindo educar, esta deve permanecer, pois é o único espaço organizado para possibilitar o desenvolvimento das camadas populares. E, propôs transformações na escola, e estas devem ocorrer na sua forma de gestão, de organizar o ensino e aprendizagem, no seu espaço e no seu tempo e nas relações com a comunidade.
A professora Selma finaliza a entrevista destacando a importância da escola historicamente e afirmando que temos que ser criativos,  plurais nas formas e nos conteúdos; ao mesmo tempo, temos que ser mais humildes para ver como inventamos o novo.
Aponta ainda, que a análise crítica das contradições presentes na escola tem que nos levar a uma superação disso, e não a uma volta para trás, como, às vezes, uma perspectiva pós-modernista nos levaria.

  

Memorial da Alfabetização

Minha História de Alfabetização

Ler e escrever possui significado relevante para mim, pois é através da leitura que o sujeito emancipa-se e muda a realidade a sua volta. E, a partir da escrita é possível registrar fatos históricos e se firmar, através do discurso, como sujeito pensante no mundo.
Minha primeira relação indireta com a leitura foi através de minha avó materna que eu sempre via e ouvia lendo a bíblia, mas não entendia nada.
Quando completei sete anos minha mãe me matriculou numa escola de alfabetização que nem tinha nome, onde as aulas aconteciam em uma sala do estádio de futebol.
A pessoa que lia as palavras da cartilha pra eu decorar era minha avó materna, me lembro que ela me dizia pra eu dormir com a cartilha em baixo do travesseiro que de manhã estaria tudo em minha mente.                               


 Lembro que eu chorava insistindo pra minha irmã ler uma historia pra eu poder decorar para no dia seguinte eu ler pra professora. A pró nunca falou se percebia que eu lia decorado.
Uma vez a pró levou uma atividade muito diferente das que ela já tinha feito: era umas figuras com um traço do lado pra ser colocada o nome correspondente com a figura: havia a imagem de uma panela com uma tampa diferente aí eu escrevi não sei de que jeito: PANELA DE PRESSÃO, e, a pró chamou outra pró e deram risadas e falaram _ Que legal! Ela teve esse pensamento e ainda escreveu. Referiram-se a mim, mas não me falaram nada diretamente. Mesmo assim, fiquei feliz e pensei que já estava sabendo escrever.
Durante meu processo de alfabetização nenhuma pró nunca leu histórias; mas queriam que os alunos lessem em suas mesas.
Só fui aprender ler mesmo na primeira série quando uma estagiária me deu de presente meu nome de gesso.
                                                   
Todos os dias eu ficava olhando aquelas letras brilhantes, cheias de gliter, e juntando e formando meu nome, até que comecei a olhar diferente para as palavras escritas nos livros.
Em fim comecei a ler juntando as silabas. Esses momentos foram mágicos em minha vida e daí em diante nasceu em mim o gosto pela leitura.



Memorial Educação Infantil

A EDUCAÇÃO NA MINHA INFÂNCIA

Quando fui à escola pela primeira vez eu já tinha sete anos, pois só tinha escola pública a partir da alfabetização, se os pais quisessem colocar seus filhos na escola da educação infantil tinha que ser particular, e meus pais não tinham recursos.
As aulas funcionavam em algumas salas improvisadas do estádio de futebol e não tinham nenhum atrativo. Não davam merenda, mesmo sendo pública, as carteiras eram bancos compridos, as salas nós alunos que varríamos, não me lembro de ter ido alguma vez ao banheiro da escola. Não tinha nem um cartaz sequer, mas felizmente a escola de alguma forma me fascinou, pois minha brincadeira favorita era brincar de escolinha e eu era a pró.
Quando fiz quinze anos de idade fui convidada para ser auxiliar de classe na escola de uma prima. Essa experiência foi muito significativa em minha vida, pois foi possível experimentar o cotidiano de uma sala de aula da educação infantil e meio que realizar meu sonho da infância, que era ser pró.
Nessa época eu não entendia a real importância que tem uma escola ou a educação na vida de uma pessoa. Eu simplesmente achava divertido e pensava que aquele trabalho que minha prima me propôs, era uma prolongação de minhas brincadeiras.