Minha História
de Alfabetização
Ler e escrever possui significado relevante para
mim, pois é através da leitura que o sujeito emancipa-se e muda a realidade a
sua volta. E, a partir da escrita é possível registrar fatos históricos e se
firmar, através do discurso, como sujeito pensante no mundo.
Minha primeira relação indireta com a leitura foi
através de minha avó materna que eu sempre via e ouvia lendo a bíblia, mas não
entendia nada.
Quando completei sete anos minha mãe me matriculou
numa escola de alfabetização que nem tinha nome, onde as aulas aconteciam em
uma sala do estádio de futebol.
A pessoa que lia as palavras da cartilha pra eu
decorar era minha avó materna, me lembro que ela me dizia pra eu dormir com a
cartilha em baixo do travesseiro que de manhã estaria tudo em minha mente.
Lembro que eu chorava insistindo pra minha irmã ler uma historia pra eu poder decorar para no dia seguinte eu ler pra professora. A pró nunca falou se percebia que eu lia decorado.
Uma vez a pró levou uma atividade muito diferente das
que ela já tinha feito: era umas figuras com um traço do lado pra ser colocada
o nome correspondente com a figura: havia a imagem de uma panela com uma tampa
diferente aí eu escrevi não sei de que jeito: PANELA DE PRESSÃO, e, a pró
chamou outra pró e deram risadas e falaram _ Que legal! Ela teve esse
pensamento e ainda escreveu. Referiram-se a mim, mas não me falaram nada
diretamente. Mesmo assim, fiquei feliz e pensei que já estava sabendo escrever.
Durante meu processo de alfabetização nenhuma pró
nunca leu histórias; mas queriam que os alunos lessem em suas mesas.
Só fui aprender
ler mesmo na primeira série quando uma estagiária me deu de presente meu nome de
gesso.
Todos os dias eu ficava olhando aquelas letras
brilhantes, cheias de gliter, e juntando e formando meu nome, até que comecei a
olhar diferente para as palavras escritas nos livros.
Em fim comecei a ler juntando as silabas. Esses
momentos foram mágicos em minha vida e daí em diante nasceu em mim o gosto pela
leitura.


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